Óbidos

Ministra da Agricultura apresenta projeto de rede de rega de 27 milhões de euros

Marlene Sousa

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A ministra da Agricultura esteve no passado dia 22, em Óbidos, para a apresentação do projeto do regadio das Baixas de Óbidos, um investimento, orçado em 27 milhões de euros, dos quais 22,2 milhões comparticipados pelo Programa de Desenvolvimento Regional (Proder). À apresentação do projeto juntaram-se dezenas de agricultores que mostraram o seu contentamento a Assunção Cristas, que lhes deu a garantia do avanço da obra há muito ansiada e que permitirá aos produtores fazerem a ligação às suas explorações, reduzindo assim os custos da rega e aumentando a sua produtividade. Assunção Cristas destacou “a imensa prova de resistência” dos agricultores da região, sublinhando o papel da Câmara Municipal de Óbidos em todo este processo. “Somos sensíveis a estas questões e percebemos quando há vontade muito grande de um território em querer progredir”, afirmou. A governante considerou o projeto exemplar, referindo que “Portugal deve ser conhecido por ter a joalharia da agricultura e Óbidos a filigrana das redes de rega”, revelando que este ano e o próximo serão “aqueles em que mais regadio se instalará em Portugal”.
Assunção Cristas na apresentação do projeto de regadio

A rede de regadio das baixas é um projeto aguardado desde 1978 e que foi concebido para irrigar 1400 hectares de terrenos agrícolas e servir mais de mil agricultores das freguesias da Amoreira e do Olho Marinho, em Óbidos, e do Pó e da Roliça, no Bombarral.

Faz parte do Projeto Hidroagrícola das Baixas de Óbidos, que incluía ainda a construção da Barragem do Arnoia, uma obra de 9,5 milhões de euros, concluída desde outubro de 2005 e parada desde então devido aos sucessivos adiamentos na conclusão da rede de rega.

O responsável técnico do projeto, Campeão da Mota, revelou que o projeto será desenvolvido em duas fases, a primeira das quais será a construção de uma estação elevatória que filtrará a água para a rega.

Na segunda fase serão construídos 50 quilómetros de tubagem por onde passarão 5,5 milhões de metros cúbicos de água, que irrigarão 750 hectares de parcelas agrícolas do concelho de Óbidos e 450 hectares do concelho do Bombarral, servindo cerca de 1.300 agricultores.

O técnico do Ministério da Agricultura realçou o facto da densidade da rede de rega de Óbidos ser “duas vezes superior à do Alqueva, somando 50 quilómetros de tubagem, com dezenas de tomadas de água para que os agricultores possam fazer a ligação às suas explorações”.

Campeão da Mota adiantou que a realização da obra implicará alguns prejuízos para os agricultores, mas no orçamento da obra já estão previstas as indemnizações.

O responsável estima que a obra esteja concluída “dentro de três anos”.

Luís Honorato, presidente da Associação de Regantes das Baixas de Óbidos, declarou que “os agricultores sempre acreditaram, desde os anos 80, na concretização deste projeto” que é, em seu entender, “uma obra fundamental para o concelho de Óbidos, não só para os agricultores mas também uma mais-valia a nível turístico e ecológico”.

Destacou ainda a empregabilidade que este aumento de produção permite, sobretudo nos concelhos de Óbidos e Bombarral.

“O maior investimento já feito no concelho de Óbidos”

Para o presidente da Câmara de Óbidos, é um projeto “extraordinariamente importante para o nosso território, para Óbidos, para o Bombarral, para a Região e para o País”.

A rede de regadio das Baixas de Óbidos é, segundo, Humberto Marques, “o maior investimento já feito no concelho” e permitirá duplicar ou triplicar as culturas de frutas e hortícolas, contribuindo “para aumentar o Produto Interno Bruto agrícola”. De acordo com o autarca, o regadio contribuirá ainda para “criar um posto de trabalho por cada hectare a mais de terreno a produzir”, estimando-se que o investimento esteja “completamente recuperado num prazo de dez anos”, afirmou, durante a apresentação.

Recordou o muito tempo de espera dos agricultores por esta infraestrutura. “A história deste projeto circunscreve três gerações”, conta o autarca, que destacou “o grande empenho” do Município de Óbidos para que a obra avançasse.

Humberto Marques apelou à “mobilização de todos os agricultores para se organizarem em estruturas que valorizem os nossos produtos”, para que haja um “equilíbrio de forças na cadeia de distribuição”. E, nesta lógica, o presidente da Câmara Municipal de Óbidos deixou um desafio a Assunção Cristas: “O País precisa que o preço pago pelo consumidor por qualquer produto agrícola seja redistribuído justamente por todos os agentes da cadeia de valor. A Câmara não se vai demitir do seu papel”.

O edil realçou o financiamento “em condições ímpares”, uma vez que é conseguido ao abrigo do novo quadro comunitário de apoio, mas com as regras do anterior. Uma ideia também sublinhada por Assunção Cristas, que disse mesmo que “o regadio de Óbidos é o exemplo dessa transição: regras antigas com dinheiro novo”.

Autarcas do Bombarral satisfeitos

Rosa Guerra, vereadora da Câmara do Bombarral e responsável pelo pelouro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, que esteve presente na apresentação do Projeto Hidroagrícola em Óbidos, destacou o trabalho da Ministra pelo “seu grande empenho e capacidade de decisão em dar continuidade a este grande projeto de rede de regadio e finalmente uma útil utilização à barragem do rio Arnoia, assim como a persistência de todos os envolvidos do concelho de Óbidos”.

Para a autarca, este “aproveitamento hidroagrícola de 80% nas baixas de Óbidos e 20% no concelho do Bombarral, que vai abranger as freguesias da Roliça e do Pó, terá com certeza uma grande mais-valia para todos nós”.

Rosa Guerra adiantou que o projeto trará um conjunto de desafios e oportunidades para os agricultores, mas não só, referindo que também será também muito importante a nível “ecológico, turismo, de lazer e proteção civil”.

“Área agrícola, uma bandeira do CDS-PP”

“A área agrícola constitui desde sempre uma bandeira do CDS-PP, que uma vez no governo do país, tem vindo a ser concretizada pelo trabalho e pela capacidade de decisão da atual ministra Assunção Cristas, impulsionando desta forma o setor primário para a inovação, industrialização e internacionalização da agricultura portuguesa”, disse ao Jornal das Caldas, Manuel Isaac, presidente da Comissão Política Distrital do CDS-PP, que fez questão de estar presente na apresentação do projeto.

Para o deputado, esta é uma obra que se “vem juntar a outras, que fazem dos anos de 2014 e 2015, aqueles em que as áreas de regadio mais aumentarão no país. Trata-se de grandes investimentos, numa fase de muitas dificuldades que o país atravessa, o que vem demonstrar e valorizar a ação e o empenho da senhora Ministra, que vem conseguindo, mesmo em condições adversas, criar políticas que consubstanciam o desenvolvimento da agricultura em Portugal”.

Manuel Isaac destacou o projeto, revelando que vai “aumentar substancialmente a capacidade produtiva dos solos, fazendo crescer o PIB, reduzir o défice da balança alimentar e aumentar o número de postos de trabalho”.

Câmara de Óbidos prepara bolsa de terras

Com o avanço do projeto do regadio das Baixas de Óbidos, Humberto Marques revelou que o Município tem agora condições para preparar a bolsa de terras.

O objetivo é a autarquia de Óbidos criar uma bolsa de terras a fim de fazer a ligação entre os proprietários que querem arrendar ou vender terrenos e quem quer explorar ou comprar.

A bolsa de terras surge para colmatar os problemas de quem quer cultivar e não tem terra e de quem não tem tempo ou não pode cuidar delas.

A ministra Assunção Cristas anunciou que o Governo está a preparar concursos para acesso à bolsa de terras para serem lançados a seguir ao verão. “Só não o faremos agora porque é uma altura de férias em que as pessoas podem estar menos atentas, mas no regresso ao ano de trabalho estamos a preparar esse lançamento de concurso”, disse

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