O encontro realizou-se no Centro Maria Alzira Lemos – Casa das Associações, sede da PpDM, e contou com a presença de diversas mulheres candidatas, dos mais diversos partidos mas também de Grupos de Cidadãos Eleitores/Movimentos Independentes, como é o caso do MVC – Viver o Concelho.
Durante o encontro, falou-se sobre as diferenças de umas e de outros: “os homens são socializados para estarem presentes no espaço público, as mulheres são ainda socializadas para a esfera privada, o que em muito marca as diferenças nos comportamentos estereotipados. Mencionou-se que o ambiente na política é frequentemente hostil à participação das mulheres, estando estas sujeitas a um escrutínio sobre a sua imagem que colide muitas vezes com o assédio ou a ridicularização. A falta de referências, pelo seu número reduzido, de mulheres líderes faz com que se continue a valorizar um único tipo de liderança, aquela que é a masculina estereotipada e que assenta no que conhecemos como a política tradicional: uma medição de forças, ênfase na retórica, a utilização da ironia e do sarcasmo, em detrimento da discussão dos problemas reais. E quando são Poder, mulheres e homens tendem a ver as suas funções segregadas por áreas: as mulheres assumem áreas como a Educação e a Ação Social enquanto os homens ficam com áreas como os Assuntos Económicos e as Obras Públicas, sendo as primeiras habitualmente desvalorizadas e com os menores orçamentos”.
“Os estudos demonstram, também, que as mulheres são menos propensas à corrupção na política, algo que estará, certamente, diretamente relacionado com as redes de contactos que os homens na política têm vindo a gerar e às quais poucas mulheres têm tido acesso, que é a tal teia do poder, transversal aos diversos partidos e que assegura que muita da gestão danosa não seja sequer denunciada, Poder e oposição estão, muitas vezes, de mãos dadas, quando se trata de proteger interesses privados. A maneira de fazer política, quase exclusivamente masculina, dos jantares de negócios, dos contactos privilegiados com A, B, ou C, fechou o Poder, levou à entropia do sistema”, refere o MVC.
“As semelhanças ao nível da participação feminina, ainda de fraco enraizamento e com pouca visibilidade, não esbateu as diferenças ao nível da forma da candidatura (Independentes e Partidos Políticos), ficando bem patente o quão as estruturas partidárias podem dificultar a participação feminina, com as conhecidas falcatruas à Lei da Paridade (“obrigando” as mulheres que integram as listas a assinar papéis conforme abdicam, depois de eleitas, para que “suba” o candidato homem), e com as lideranças escolhidas a serem, ainda, maioritariamente masculinas. Esta é uma prática recorrente nos partidos políticos, assumida por quem os compõe, e foi uma das preocupações mais partilhadas pelo grupo. O resultado destas práticas está à vista e no total das/os cabeças de lista às eleições autárquicas de 2013, apenas 10,7% são mulheres”, aponta o MVC.
Maria Teresa Serrenho é a única candidata mulher à Câmara Municipal das Caldas da Rainha nestas eleições autárquicas e vice-presidente da Associação Nacional de Movimentos Autárquicos Independentes.




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