Quem paga o quê…a quem…?

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
Quando um familiar, a quem muito amo (militante de um dos partidos com assento parlamentar), me interpelou na rua - “esse Movimento Viver o Concelho tem muito dinheiro! Os independentes são ricos !!!“ – fiquei alarmada . Porquê? Porque nunca me pagaram a liberdade de pensamento que regula a independência das minhas ações. E no notável e crescente grupo de mulheres e homens de todas as idades que forma o espontâneo MVC – Movimento Viver o Concelho, o mesmo acontece. Não temos recursos financeiros, quotizamo-nos entre nós, fazemos muitas contas, só compramos quando há fundos suficientes e pagamos tudo na hora. Tudo é gerido com grande competência pela professora Maria Teresa Serrenho (candidata a Presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha), que nos empresta a sua experiência de empresária e após consulta com todos nós. Somos, na realidade, uma equipa coesa que trabalha transversal, sem hierarquias verticais. Porque julgo que esta confusão se gerou pela ignorância dos factos relativos ao chamado Orçamento Eleitoral que todos os partidos e movimentos políticos têm que registar na Entidade das Contas no Tribunal Constitucional, pedi à Teresa que explicasse melhor este processo um pouco ambíguo:

“O orçamento de campanha enviado para a entidade das contas tem que reportar uma previsão do que irá mais tarde constar na apresentação de contas. Assim, se uma candidatura de um grupo de cidadãos tiver uma sede (mesmo que emprestada por um amigo ou membro do grupo) vai ter que lhe imputar um valor igual ao preço do mercado naquela zona da localidade e esse valor rodará nas contas como receita e como despesa, pois o custo embora não sendo pago, será contabilizado e o dinheiro que não foi recebido, entra como donativo.

Se for pintada a sede, alguém a pintou e por isso terá que se imputar o valor/hora de um pintor ou, quem diz pintor, dirá carpinteiro, eletricista ou outro… e de novo haverá um custo e um donativo, sem que se tenha movimentado qualquer dinheiro efetivo. Também todo o material que existe na sede, desde cadeiras, mesas, computador, impressora, secretária, etc..- mesmo sendo materiais emprestados por uns e outros, tem que ser tudo valorizado e ser incluído nas contas, seguindo o mesmo círculo de custo e donativo, não movimentando de novo dinheiro algum.

Por outro lado não podemos esquecer que um Grupo de Cidadãos paga 23% de IVA em todos os materiais de campanha, dos quais os partidos estão isentos, e isto é quase um quarto do valor orçamentado.”

Este esclarecimento será de grande benefício não só para o público em geral mas também para os militantes dos partidos que, devido à sua dependência de dinheiros assegurados e responsabilidades avertidas, não terão que fazer ou prestar contas na mesma medida que os independentes.

A ignorância não é desculpa. Pertence a cada um de nós procurar a informação que precisamos. Só assim se pode evitar espalhar boatos e rumores tão prejudiciais para o respeito que devemos uns aos outros.

Margarida Mauperrin

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Artigos Relacionados