Acompanhando o ritmo da estação, também a Igreja Paroquial adequa a Liturgia à azáfama da beira-mar, das esplanadas, das conversas, dos passeios e dos encontros entre amigos…com Missa diária às 10,30, hora nobre para mães, avós e netos ali também não falta o alimento divino, pois nem só de praia vive o homem e ir de férias não implica deixar Deus em “sossego”, mas continuar a viver com a Sua companhia, a Sua presença, fomentando momentos de oração e de recolhimento.
E foi assim que, em dia de S. Tiago, 25 de julho, a Igreja quase encheu de jovens para participarem na Santa Eucaristia. De comportamento exemplar, tocaram viola, cantaram, sorriram e contagiaram com a sua atitude, alegria e fé.
Na vida nada acontece por acaso, o bom e o mau são sempre o resultado do empenho e do esforço de alguns, poucos, talvez, mas são o suficiente para fazer a diferença, lançar o sal e o fermento, levedar uma massa imensa que precisa de quem a ajuda a crescer. Quem semeia ventos colhe tempestades diz o nosso povo, com a sua mestria popular e, bem sabemos, que só colhe com alegria quem semeou com muito trabalho e dedicação.
Esta força viva era oriunda da Paróquia do Montijo, estavam ali de férias na companhia de vários e atentos monitores e da, sempre sorridente, Irmã Filomena. Confesso que tive dificuldade em me concentrar, não conseguia tirar os olhos deste cenário tão belo e humano quanto divino…
Recordei-me que, no século XVI, da Universidade de Sorbonne, em Paris, saiu num grupinho de ardentes estudantes, o fundador da Companhia de Jesus, St. Inácio de Loyola companheiro, entre outros, de S. Francisco Xavier. Esta escassa meia dúzia de jovens, ainda que rodeados de dificuldades e contradições, remou contra a maré, inebriou-se dos valores religiosos e não parou de dar bom fruto ao longo destes séculos, o último dos quais está bem patente no Santo Padre Francisco.
A juventude é sempre a mesma, igual em todos os tempos e lugares, são “diamantes por lapidar”…, o que escasseia nos nossos tempos, são bons educadores, gente que com o seu exemplo e palavra a ajude a encontrar o caminho a seguir, que faça da sua vida um estado de missão em prol dos mais novos, que os ensine a voar mais alto com liberdade inteligente e inerente responsabilidade.
Somos descendentes do homo sapiens éthicus e é aqui que reside toda a diferença: liberdade não é fazer o que os instintos mandam, mas sim seguir a consciência, que para isso tem de estar bem formada e informada para nos apontar o dever, o caminho, a opção certa no sentido do bem que é comum a todos e nos transcende, pois na nossa essência habita a marca do Criador, essa centelha divina que nos convida a Crescer e a Amar.
Tudo se reflete, tudo se propaga, uma maçã podre estraga um cesto, mas um ser humano bem estruturado e formado edifica uma sociedade… Atitudes corajosas e humanas, cidadania ativa e participada tem de ser sempre uma constante da nossa vida. Não é um preconceito religioso, embora a Igreja Católica seja um exemplo vivo de como a caridade, o amor, a fraternidade e a partilha são a alavanca, o ponto de apoio para o homem se poder fazer mais humano, mais perfeito e ter a coragem de levantar voo rumo ao divino, a sua nobre origem e prometido destino.
Maria Susana Mexia




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