Prevê-se que um aluno normal demore cerca de quatro anos a terminar um curso superior. Seguem-se cursos de mestrado (dois anos), doutoramento (três anos) e…em relação à escolha do cônjuge, pouca ou nenhuma preparação é prevista. São cada vez mais os jovens que se abandonam ao impulso do momento, ao instinto. Enquanto na profissão os empresários, os chefes de departamento, etc. buscam profissionais com um determinado perfil e currículo, para se escolher a mãe ou pai dos próprios filhos não se “perde” muito tempo a pensar quais as “habilitações” necessárias para o preenchimento de tal “vaga” que, com estes “critérios de seleção”, voltará a “vagar” repetidamente com graves prejuízos para os filhos.
É necessário conhecer para se poder escolher. Assim, o homem faz uso da sua inteligência para se informar, através do estudo, dos conselhos de familiares e amigos, da investigação. Feita a escolha, deve aderir a ela, ou os seus planos profissionais jamais se concretizarão. Logo após a inteligência, deveria entrar em ação a vontade. Na realidade, ambas caminham lado a lado. Sempre que se opta por um projeto (profissão, empresa, automóvel, cônjuge…) rejeitam-se todas as outras possibilidades (profissões, empresas, automóveis, cônjuges…)
Este é o percurso normal do homem que procura ser feliz. A felicidade é, afinal, o objetivo da liberdade. Considerando que um homem feliz terá trabalhado até à idade da reforma e uma família unida até “que a morte os separe”, verificamos que a morte costuma ocorrer cerca de vinte anos após a aposentação. Assim, vale a pena preparar-se melhor para ser marido/mulher e pai/mãe do que profissional. Embora, mais uma vez, ambas as realidades (profissão e família) e ainda outras (cultura, fé, música, desporto, amizades, viagens…) constituam todo um conjunto a que chamamos “a nossa vida”.
Só numa idade bem amadurecida se poderá medir o valor das pessoas. Enquanto os jovens têm um futuro a preencher, os de mais idade já têm obra feita. Essa obra é o resultado da grandeza dos ideais da juventude e da tenacidade em os seguir.
E é a liberdade que afinal dá verdadeiro valor às ações do homem. Se o seu coração não fosse livre, tanto fazia amar como odiar. O homem agiria como o robot que agradeceu “ao seu criador”, no final da sessão de demonstração que o engenheiro, seu construtor, levara a cabo. Tal robot não estava agradecido, estava obrigado pelo programa nele introduzido.
Isabel Vasco Costa



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