Numismática - Moedas Portuguesas Comemorativas do Euro

6ª. Moeda V Série Ibero-Americana “Náutica” 10 Euro

Luís Manuel Tudella

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Desde do ano de 1992 que Portugal conjuntamente com a Espanha e vários países da América Latina, emitem moedas que estão integradas nas Séries Ibero-Americana, subordinadas aos mais diversos temas. A Náutica, foi a escolha para esta série e direcionada para o mar.

Características da moeda

Anv: Apresenta no centro do campo e no círculo interior o escudo das armas nacionais sobreposto à esfera armilar, circundado pela legenda “República Portuguesa e o valor facial *10 EURO*, no círculo exterior a heráldica dos países ibéricos e ibero-americanos, aderentes a este evento, Portugal, Espanha, Argentina, Cuba, Equador, Guatemala, México, Nicarágua Paraguai e Perú.

Rev: Apresenta no campo central uma nau de grande porte com as velas içadas, recebendo os ventos predominantes, sulcando os mares, provocando uma ondulação, indicando-nos o movimento desta. Sobre o lado direito mostra-se um quadrante, utensílio aplicado às artes de marear; junto à orla inferior a legenda NÁUTICA e na orla lateral a era da cunhagem da moeda.

Autor: Raul de Sousa Machado.

Moedas de Prata com acabamento normal:

Valor facial 10 Euro; Ag: 500/100 de toque; Dia 40 mm; Peso 27 g.; Bordo serrilhado. Cunhagem 350.000 exemplares.

Moedas de Prata proof:

Valor facial 10 Euro; Ag: 925/100 de toque; Dia 40 mm; Peso 27 g.; Bordo serrilhado. Cunhagem de 10.000 exemplares.

O termo Náutico, define-se como o conjunto das tecnologias de navegação no mar ou aérea, sendo hoje empregue não só para referenciar a arte de navegar, mas toda a atividade a ele inerente, como embarcações, praticadas nos mares, rios e lagos

Nau é a denominação genérica dada a navios de grande porte até ao seculo XV, utilizados para viagens de grande percurso; aparecem em diversos documentos históricos os termos nave (do latim navis) termo este, utilizado desde o século XIII ao XV; em contrapartida o termo embarcação aplica-se a barcos de menores dimensões, utilizados em percursos mais curtos, que surgiram no século XV e XVI.

No reinado de D. Fernando I de Portugal as naus multiplicaram-se de forma assinalável por todo o Portugal, devido essencialmente à pirataria que por toda a costa assolava o território nacional; por isso, foi criada uma armada para a combater, passando a integrar a marinha, passando a introduzirem-se bocas de fogo que tiveram as mais diversas classificações segundo, o poder da artilharia: as naus com 100 a 120 bocas, eram naus de três pontas e as de 80 bocas de duas pontas e meia. A capacidade de transporte das naus também foi aumentando, alcançando as duzentas toneladas no século XV e as quinhentas no século XVI.

Na época áurea dos descobrimentos portugueses a náutica foi evoluindo, dando azo ao aparecimento de outro tipo de embarcações. A barca, que se destinava à cabotagem e pesca, e posteriormente a caravela.

Com o desenvolvimento imprimido à navegação, passando de águas costeiras para águas oceânicas, foi necessário proceder-se a adaptações nas embarcações com os novos conhecimentos geográficos e náuticos; à medida que o comércio marítimo se desenvolvia, foi necessário aumentar a capacidade do transporte de mercadorias, marinheiros, soldados e armamento, modificando as características das embarcações. Surgiram então as Caravelas e as Naus de grande porte.

O quadrante instrumento náutico de vital importância tinha a forma de um quarto de círculo, sendo graduado de 0º a 90º, na extremidade onde estavam marcados os 90º, possuindo duas pínulas com um orifício por onde se apontava ao astro; no centro tinha um fio de prumo que observando a sua posição lia-se a graduação que indicava a altura do astro. Tanto o quadrante como o astrolábio, este de origem portuguesa, permitiam indicar a localização da embarcação, ou mais a norte ou mais a sul, através da medição do ângulo que a estrela Polar faz com o horizonte, ou medindo a inclinação do sol, também em relação a este.

A nau Madre de Deus foi o maior navio do mundo no seu tempo, deslocando 1 600 toneladas, 900 das quais em carga. Construída na Ribeira das Naus em Lisboa no ano de 1589, para a servir na Carreira da Índia, tinha as seguintes características: 50 metros de comprimento e 14,5 metros de largura. Dispunha de 7 conveses e 32 canhões, entre outras armas, empregando uma tripulação de 600 a 700 homens. Em agosto de 1592 carregada de valiosíssimas mercadorias, de regresso a Lisboa na sua segunda viagem à Índia foi atacada e capturada por uma frota inglesa de seis navios ao largo do arquipélago dos Açores. A Madre de Deus constituiu um dos maiores saques da História.

Entre as riquezas transportadas pela nau Madre de Deus estavam baús cheios de pérolas e joias preciosas, moedas de ouro e prata, âmbar, rolos de tecido da mais alta qualidade, tapeçaria, 425 toneladas de pimenta, 45 toneladas de cravo da Índia, 35 toneladas de canela, 25 toneladas de cochonilha, 15 toneladas de ébano, 3 toneladas de noz-moscada e 2,5 toneladas de benjamim (uma resina aromática usada em perfumes e medicamentos). Havia ainda incenso, sedas, damasco, tecido de ouro, porcelana chinesa, presas de elefante entre outros artigos. Finalmente e talvez o maior tesouro que os ingleses adquiriram: um documento impresso em Macau em 1590, que continha informação preciosa sobre o comércio português na China e no Japão. Richard Hakluyt relatou que este documento foi encontrado fechado numa caixa de cedro, enrolado 100 vezes por um tecido fino de Calecute tratado como a mais preciosa das joias.

A nau Madre de Deus constituiu um dos maiores saques da História.

Créditos: Wikipédia – Nau portuguesa Madre de Deus; Quadrante; Coleção particular do autor.

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