Como é frequente nestas situações, em cima da hora damos por falta de um daqueles ingredientes indispensáveis, neste caso concreto, o vinagre. O que havia não chegava e reserva não existia, logo, a solução, era recorrer ao supermercado mais perto…
Assim fiz, depois de uma longa espera na caixa, empunhando o meu líquido salvador para saciar amigos e familiares, observo que um funcionário do dito super estava à porta e não permitia a entrada de clientes em fato de banho ou biquíni…
Parei para me certificar da verdade que os meus olhos viam e a minha mente não queria acreditar… Sem dúvida, normas superiores, nada a fazer, traje de areia e mar não dá direito a entrar num espaço comum…
Por uma questão de sensibilidade, bom senso, adequação, respeito pelos outros, feitio ou mau feitio, não resisti e dirigi-me ao funcionário…
O curioso é que ele julgava que eu lhe ia ralhar e condenar a decisão daquela norma de conduta praticada nos supermercados, quando lhe disse que achava muito bem, que estava de acordo e lhe pedi para transmitir aos seus superiores a minha manifestação e apreço por tal exigência, ele ficou atrapalhado, depois recuperou, por fim, sorriu e agradeceu…
Acrescento, simplesmente, que a dita praia é muito, muito in, frequentada por gente jovem, bonita e moderna e que a cadeia do super em questão não é pertença de nenhum árabe fundamentalista, mas europeia, banal, vulgar, onde todos vamos e iremos pois proliferam de norte a sul do país…
E eis como uma lacuna na despensa dá direito a constatar que os tempos vão mudando. Ao almoço, comentando o caso, fui informada de que em Barcelona era interdito a entrada de turistas em fato de banho nos monumentos históricos, reparem, não é em Roma, nem em Fátima ou outro local sagrado, mas numa cidade de maravilhosa cultura, aberta, moderna contagiante e muito, muito sui generis…
Maria Susana Mexia



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