“Temos uma taxa de desemprego jovem muito elevada, 38,7% segundo o INE. O número muito elevado de jovens à procura do primeiro emprego indica que o ensino não está em sintonia com as verdadeiras necessidades das empresas e da economia”, apontou Pedro Roque, acrescentando que “existem empresas que precisam de um conjunto de profissionais com um determinado perfil e não os encontram”. “Os cursos de aprendizagem que têm excelentes resultados e uma grande empregabilidade vão ao encontro nas necessidades das empresas”, sublinhou o secretário de Estado.
Para Pedro Roque, tal sistema “nunca teve a expansão necessária e não pode continuar a ser visto como o parente pobre do sistema educativo”. “Proporciona uma aproximação dos jovens às empresas, que têm aí um campo de recrutamento de mão de obra qualificada a que podem recorrer”, adiantou.
O governante elogiou os formandos, sustentando que é “necessário” que os jovens tenham formação especializada para competir no mercado de trabalho e se possível com uma remuneração salarial compatível com essa sua qualificação e certificação”. Pedro Roque falou ainda da necessidade da reindustrialização para o crescimento e a competitividade do país.
António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), que esteve presente nesta cerimónia, destacou o Cenfim, afirmando que tem feito um “trabalho fundamental que é de formar capital humano qualificado de acordo com as necessidades das empresas, suprindo assim uma das maiores carências do nosso sistema de ensino que é precisamente a inadequação entre a oferta e a procura no mercado de trabalho”.
Segundo este responsável, para Portugal e a própria Europa saírem da crise e serem competitivos num mundo global, “é necessário aumentar a produtividade e consequentemente o emprego, o que implica ter uma força de trabalho altamente qualificada, competitiva e adaptável às novas exigências dos mercados”. “O número muito elevado de jovens à procura do primeiro emprego, que já ocorria antes da crise, significa que o ensino não está em sintonia com a realidade e não contempla as verdadeiras necessidades das empresas e da economia, como a CIP desde há numerosos anos vem insistentemente repetindo”, disse António Saraiva, acrescentando que “é necessária uma visão mais pragmática e mais prática do ensino, na qual as necessidades da economia e das empresas assumam o lugar fulcral que naturalmente lhes compete”.
De acordo com o responsável o empreendedorismo tem de ser, nos dias de hoje objeto de encorajamento. “A sociedade deve ser incentivada a reduzir o estigma do insucesso, por forma a não criar obstáculos “psicológicos” com consequências bem concretas, como no caso de acesso ao financiamento a quem quer criar a sua própria empresa”, manifestou.
Para António Saraiva a reindustrialização é sem dúvida um dos grandes temas do momento e também do futuro. “Em Portugal, a indústria, apesar de fortemente afetada e condicionada pela crise, ainda representava em 2012 de acordo com o INE, 23,4 do valor Acrescentado Bruto e um quarto do emprego em Portugal”, revelou, adiantando que “Portugal e a própria Europa, não sairão da crise e da espiral recessiva que atravessamos se não forem criadas condições necessárias ao estabelecimento e posterior fortalecimento de uma sólida base industrial”.
Na perspetiva do presidente da CIP, os diversos e diferentes casos de sucesso devem ser replicados, dado que “a retoma económica será impossível enquanto as empresas não dispuserem de uma força de trabalho e capital humano suficientemente qualificado”.
Em representação do Município das Caldas da Rainha esteve presente o vice presidente da Câmara. Tinta Ferreira concordou com as intervenções do Secretário de Estado e de António Saraiva, afirmando que “a Indústria tem que ser um elemento de captação de emprego”. “O nosso concelho é de comércio e serviço mas se queremos combater o desemprego temos que apostar na Indústria e só conseguimos ser proactivos na captação de empresas se tivermos recursos humanos qualificados”, disse o autarca, acrescentando que “felizmente o concelho das Caldas tem 50% dos seus alunos em ensino técnico profissional ou em formação profissional”. E quando ao ensino regular, Tinta Ferreira voltou a destacar os excelentes resultados no ranking nacional, onde os alunos das Caldas da Rainha obtiveram a melhor média dos exames nacionais do 12º ano.
Cristina Botas, diretora dos Núcleos de Caldas da Rainha, Peniche e Torres Vedras, abriu a sessão com uma apresentação do Cenfim que tem 28 anos de existência. Segundo esta responsável, a instituição fez um levantamento exaustivo das necessidades reais de formação antes de elaborar o seu plano de cursos. “A aprendizagem em alternância é o grande desafio do Cenfim onde os formandos obtêm muitas competências e mão de obra qualificada”, referiu. “Mercado, formação profissional, empregabilidade e competências”, são o ciclo de vida do Cenfim.
Numa altura em que o desemprego atinge números elevados nesta região e também no país, a maioria dos alunos do Cenfim consegue trabalho no fim do curso. “A empregabilidade dos profissionais formados pelo núcleo da zona Oeste, que abrange Caldas da Rainha, Torres Vedras e Peniche, ronda os 90%”, disse a diretora
Timóteo Gabriel, de 18 anos ex-formando de um Curso de Aprendizagem (refrigeração e climatização), deu o seu testemunho de como a formação que tirou teve um papel bastante importante no rumo que viria a seguir. “Foi um percurso difícil mas agora tenho emprego”, sublinhou. O jovem está satisfeito a trabalhar numa empresa na região.
Octávio Oliveira, presidente do IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional, Aníbal Campos Presidente da Direção da AIMMAP – Associação dos Industriais Metalúrgicos Metalomecânicos e Afins de Portugal e Gonçalo Xufre, presidente da Agência para a Qualificação e Ensino Profissional (ANQEP), foram outros participantes na sessão.
Nesta cerimónia foram entregues 296 diplomas de RVCC e 18 certificados de Aprendizagem do Núcleo de Caldas da Rainha do Cenfim.
Marlene Sousa






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