100 anos da Caixa de Crédito Agrícola com grande festa

Marlene Sousa

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A presença do Cardeal-Patriarca de Lisboa D. José Policarpo marcou a celebração do centenário da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo (CCAM) de Caldas da Rainha, Óbidos e Peniche. Fundada em Alvorninha em 1913, a Caixa de Crédito Agrícola das Caldas da Rainha (a que se juntaram as de Óbidos e Peniche) comemorou no passado sábado o seu centésimo aniversário. A data da escritura da constituição da Caixa de Alvorninha, freguesia de berço, foi a 2 de março de 1913, mas por motivos de agenda foi escolhido o dia 4 de maio para a sessão de comemoração.
Bolo de aniversário (fotos Dimago)

A cerimónia iniciou com o descerramento de duas placas comemorativas no balcão sede, uma alusiva ao centenário e outra em homenagem a Rui Torres Rangel (grande colaborador que a instituição teve em tempos). Os painéis são obra do escultor António Vidigal.

O cardeal patriarca presidiu à eucaristia, onde em conjunto com os sacerdotes das Caldas celebrou a missa comemorativa dos 100 anos, que teve a participação do grupo coral e instrumental do concelho de Óbidos “Alma Nova”.

Na celebração religiosa, rodeada de entidades, associados, colaboradores e clientes da Caixa de Crédito Agrícola, o cardeal deixou uma mensagem de esperança, sublinhando a importância da união. Elogiou a instituição afirmando que é “um banco que não privilegia o lucro”.

Cerca de 300 pessoas marcaram presença na sessão solene que teve lugar no grande auditório do CCC. Foi exibido o filme realizado por Miguel Costa, que assinala o centenário desta instituição e que evidencia o papel do Crédito Agrícola de Caldas da Rainha, Óbidos e Peniche muito marcado pela proximidade às comunidades e muito virado para as necessidades do próprio desenvolvimento económico e social desta região. Destaque ainda para a historiadora Joana Tornada, que é a autora do livro do centenário desta instituição.

“É numa posição de conforto que esta instituição comemora, este ano, o seu centenário”, disse José Sobreiro, presidente do conselho de administração. A prática de uma banca de base cooperativa e a relação de proximidade com associados e clientes são, segundo este responsável, os principais fatores que os tem mantido com bons resultados. “Uma grande visão, ambição e vontade de vencer, foi determinante para o sucesso desta Caixa que conta hoje com 13 balcões distribuídos pelos 3 concelhos e 69 trabalhadores”, referiu.

“Hoje o Crédito Agrícola respira saúde, está capitalizado e nem sequer teve necessidade de ser recapitalizado, à semelhança do que aconteceu com muitos bancos”, observou Rego Filipe, presidente da Mesa da Assembleia Geral. De acordo com este responsável, o país está a atravessar uma das maiores crises da história e é urgente “criar novas medidas de apoio, incentivos às empresas e aos agricultores”.

“Cem anos depois o Crédito Agrícola poderá continuar a ter um papel importante, disponibilizando recursos, para atividades cujo objetivo seja a produção de bens transacionáveis, quer sejam de atividades agrícola, florestal, pecuária ou das pescas”, apontou, acrescentando que “assim contribuiremos para criar riqueza e emprego nestes setores e manteremos vivos os princípios e ideais dos nossos antecessores e fundadores”.

Carlos Courelas, presidente do Conselho Geral da Supervisão da Caixa Central, realçou a solidez financeira de que o Crédito Agrícola disfruta, que o colca em situação particularmente confortável na atual conjuntura de crise. “A situação líquida do Grupo permite-lhe apresentar os rácios de solvabilidade e indicadores económicos mais elevados entre as principais instituições do sistema bancário português”, revelou. Segundo, Carlos Courelas, o ativo do Grupo, mesmo não tendo a sua atividade de grande expressão nos grandes centros de poder económico do país como Lisboa e Porto, “é já superior a 14.000 milhões de euros, o que representa perto de 8% do Produto Interno Bruto Português”.

Presentes também na sessão solene estiveram os autarcas de Peniche, Óbidos e Caldas em representação dos concelhos onde estão distribuídos os balcões desta Caixa.

António José Correia, presidente da Câmara de Peniche, elogiou a curta-metragem da Caixa realizado por Miguel Costa, referindo que “é um vídeo que retrata o Oeste e as múltiplas atividades desta região”. “Os atores e atrizes deste pequeno filme são os trabalhadores da Caixa que deram esta visão humana que reforça as duas palavras-chaves desta instituição: a proximidade e a confiança – dois valores importantíssimos nos dias de hoje”, afirmou o autarca. António José Correia ofereceu à CCAM de Caldas da Rainha, Óbidos e Peniche uma serigrafia que representa o símbolo de Peniche, do artista António Carmo.

Telmo Faria, presidente da Câmara Municipal de Óbidos, elogiou esta instituição pelos seus 100 anos de história. “É uma semente que nasceu num período conturbado da I República”, disse o autarca, destacando o fato desta Caixa ter atravessado e enfrentado toda a turbulência da I República, depois o período de ditadura durante o chamado Estado Novo, toda a turbulência do período revolucionário e das dificuldades que foram a pós revolução dos anos 80”.

Para Telmo Faria, a melhor forma de enfrentarmos a crise é pensarmos que as dificuldades vão permanecer. “Eu prefiro pensar que isto será sempre assim e que o nosso país tem esta atmosfera porque nos obriga a trabalhar mais, a sermos mais criativos e torna-nos mais capacitados para enfrentar os grandes desafios”, sublinhou, destacando que “seguramente foi a atitude e comportamento que subsistiu durante estas dez décadas na Caixa”.

Tinta Ferreira, vice presidente da Câmara das Caldas, também destacou a proximidade da Caixa Agrícola com as “pessoas”. “Esta instituição trabalhou essencialmente o setor primário, mas hoje já diversifica as suas atividades e tem sido uma instituição que tem dado um forte contributo à região”, manifestou, revelando que o próprio Município das Caldas é cliente da Caixa de Crédito Agrícola das Caldas da Rainha e que “beneficia da sua ação da forma como tenta resolver os problemas e da forma como tenta ultrapassar as dificuldades e encontrar as soluções adequadas”.

Da parte da tarde decorreu um concerto com a Banda Filarmónica de Alvorninha e com a Orquestra Ligeira de Óbidos.

100 anos de história

Foi em 1913, no período conturbado da I República, que nasceu a CCAM de Alvorninha, cujos estatutos foram aprovados em 5 de abril desse ano. Em 1918 foi transferida de Alvorninha para a freguesia de Vidais. Devido a rivalidades antigas destas freguesias vizinhas, a 8 de maio de 1926, em Assembleia Geral, a CCAM dos Vidais aprova a alteração da sua sede para as Caldas da Rainha bem como a alteração da sua designação para CCAM das Caldas da Rainha. Em 1996 funde-se com a Caixa de Crédito Agrícola de Óbidos. Três anos depois, ocorre uma segunda fusão com a CCAM de Peniche, pelo que desde 11 de fevereiro de 1999 que esta instituição financeira se designa CCAM das Caldas da Rainha, Óbidos e Peniche.

A Caixa de Peniche também é centenária, constituída por Escritura Pública a 10 de novembro de 1913.

Marlene Sousa (texto)

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