Caldas da Rainha

Secretário de Estado assegura apoio a produtores prejudicados pelo mau tempo

Carlos Barroso

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O secretário de estado da agricultura, José Diogo Albuquerque, assegurou que os produtores que recorrerem a ajudas para compensar prejuízos provocados pelo mau tempo vão poder candidatar todas as despesas para pôr a funcionar as explorações.
Os trabalhadores das estufas do Bouro trabalham intensamente/foto Carlos Barroso

“Estamos a trabalhar numa medida de Reposição do Potencial Produtivo (RPP), que tarda entre o diagnóstico e a operacionalização à volta de dois meses, mas que permite que todas as despesas feitas pelo produtor a partir do dia em que se fez o diagnóstico sejam elegíveis”, afirmou o governante, referindo-se ao temporal que atingiu vários distritos do país. Nas Caldas da Rainha, onde visitou uma estufa de produção de morangos com estragos superiores a um milhão de euros, o secretário de estado assegurou que “existem verbas no âmbito da RPP que permitem compensar os produtores nos investimentos nas estruturas em 75% a fundo perdido”. O governante acredita que “dentro de três meses explorações como a das Caldas possa estar a trabalhar para voltar aos mercados”. O secretário de estado da Agricultura defendeu também a alteração dos seguros agrícolas para um sistema de financiamento comunitário que abranja mais agricultores e mais riscos. “Temos de encontrar uma solução financeira sustentável para o sistema de seguros e isso passa por substituir os sistemas nacionais por sistemas de financiamento comunitários, como fizemos no caso do vinho”, afirmou José Diogo Albuquerque. Em visita à exploração agrícola situada no Bouro, nas Caldas da Rainha, sem seguro, onde o mau tempo destruiu todas as estruturas de produção e rega, o governante admitiu que “as apólices são muito caras” e “é preciso resolver a questão financeira do setor que há três semanas tinha dívidas no montante de 80 milhões de euros”. Depois de em dezembro o governo ter assinado um protocolo com oito bancos para “agilizar uma linha de crédito de 1,5 mil milhões de euros, uma espécie de via verde para os projetos do PRODER (Programa de Desenvolvimento Rural)”, o secretário de Estado quer agora ver no terreno um sistema de proteção aos agricultores “mais abrangente”. O sistema de seguros “vai ter que ser muito mais abrangente e ter mais universalidade, porque quanto mais agricultores tiverem seguro mais dispersão do risco haverá, mais baratas podem ser as apólices e mais vantagens poderá trazer para o agricultor”, concluiu. José Diogo Albuquerque antes das declarações aos jornalistas esteve com trabalhadores que estão a arranjar as estufas e deu alento aos proprietários para que retomem à produção de morangos. A empresa Maravilhas Soltas é especializada na produção de morangos e representa uma produção anual de 960 toneladas e apesar de ter sofrido cem por cento de prejuízos na produção, depois do temporal. Os seus proprietários, Vítor e Sérgio Constantino, estão esperançados que, com a ajuda do governo, que vão continuar com a produção, assegurando 80 postos de trabalho e o abastecimento de produto às grandes superfícies nacionais e aos mercados de exportação como o francês e o holandês. A exploração com cerca de 20 hectares foi apontada pelo governante como “um caso exemplar de por onde passa o futuro da agricultura do país”, ou seja, trata-se de um produtor “jovem, está numa organização de produtores, trabalha em produção organizada e produz para o mercado nacional e exportação”, disse o secretário de estado. José Diogo Albuquerque afirmou-se empenhado em “conseguir que esta gente, que está a ajudar a economia do país, volte rapidamente ao mercado”. O diretor regional de agricultura e pescas de Lisboa e Vale do Tejo, Nuno Russo, esteve igualmente no local a realizar um levantamento dos estragos causados pelo temporal. Estimam-se prejuízos na ordem dos três milhões de euros no Oeste, envolvendo 35 produtores com uma área de 140 hectares.

Carlos Barroso

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