O drama do desemprego

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Não são só as contas para pagar, mas também. É a sanidade mental, o dia a dia vazio, e o sentimento de impotência constantes. O sentir-se inútil, incapaz, velho demais, novo demais, demasiado qualificado ou com poucas habilitações. O desemprego é um drama, é dramático em todos os sentidos, e não venha o Sr. Passos Coelho dizer-nos que é "uma oportunidade de mudar de vida"... Salvo raras exceções de mães que decidem (e podem) dedicar-se aos filhos, pessoas (raras) que querem apostar no seu próprio negócio, ou pessoas ("forçadas") a emigrar, não estou a ver Sr. Passos Coelho, onde cabe essa oportunidade.

Graças a Deus cá em casa não nos bateu à porta (por enquanto, pelo menos), mas já bateu à porta de familiares e amigos, e acompanhamos situações dramáticas, algumas mais flagrantes do ponto de vista financeiro, mas quase sempre preocupantes, do ponto de vista mental.

A saúde mental corre sério perigo, neste contexto, em que há muito tempo livre, poucas oportunidades de se sentir útil, e uma mão cheia de contas a pagar.

Há tempos, a televisão mostrou uma “supersenhora” que tratava do marido e da mãe acamados, ainda tinha uma horta e alguns problemas de saúde. Quando a entrevistadora lhe perguntou se não ficava deprimida, ela disse que não tinha tempo para ficar deprimida!

Termos o nosso tempo estruturado, organizado, ajuda-nos, no nosso equilíbrio mental, ajuda-nos a manter a mente sã, e embora não seja sempre verdade que quem tem trabalho é equilibrado, corre mais riscos de deprimir quem se vê em situações dramáticas de desemprego contínuo e sem grandes perspetivas de trabalho no futuro.

Ora diga lá outra vez, Sr. Passos Coelho, que “estar desempregado não pode ser um sinal negativo”, mas por favor explique-nos os aspetos positivos desta condição, é que nós sinceramente, não os estamos a ver…

Tirar o melhor desse problema, isso sim, como seja, procurar estar sempre bem ocupado. Primeiro, obviamente, procurando trabalho, em atitude de abertura ao que aparecer, desde que honesto… Sem se conformar com a situação… Depois, servindo os outros: em casa, visitando, recebendo, indo ao encontro, mas sempre fugindo do ócio e da preguiça, mãe de todos os vícios, “como o diabo da cruz”…

E aprofundemos, agora que estamos no Ano da Fé e no mês em que as nossas últimas realidades, as verdades eternas: tudo o que fazemos pode converter-se em caminho para Deus, para o céu. Também o desemprego, pode portanto, ser ocasião de santidade, de redenção.

Alexandra Chumbo

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