Recusámo-nos a aceitar que esses direitos implicavam deveres, que era necessário trabalhar e não somente ter emprego. Mas ter emprego era um direito adquirido, ser obrigado a trabalhar, uma violência. Como um direito adquirido era não ter que demonstrar publicamente, através de provas de avaliação, que se aprendera algo na escola, que esta não era um mero local de recreação, onde o importante é não traumatizar as criancinhas, e que a adolescência termina aos trinta…
A realidade veio repor a verdade dos factos, da forma mais violenta. Todos sofremos mais ou menos o doloroso despertar. A próxima década será difícil e conturbada, estamos no limiar de uma era diferente, eventualmente mais justa por exigir que todos sejam chamados a construir o futuro.
A política tornou-se feudo de mágicos que tiram coelhos da cartola. Sócrates, que era muito coisa menos filósofo, foi exemplar na sua negação da realidade. Mas não esteve só. E a triste realidade que agora vivemos é a negação de tudo o que nos prometeram.
Mesmo assim persistimos na negação dos perigos que nos cercam. Alguém tem dúvidas quanto ao caos que seria (será) quando formos confrontados com uma catástrofe natural como a que hoje ameaça Nova Iorque. Onde estão a sirenes da defesa civil? E para que serviriam, se nunca ninguém se preocupou com exercícios que mostrassem para que servem? Onde estão os planos de contingência para catástrofes? Eventualmente, no segredo de algum gabinete, para não provocar pânico. Porque, como bem sabemos, o pânico é mau conselheiro em tempo de eleições, e há sempre uma eleição ao virar da esquina.
Persistimos em pensar que é um desperdício gastar dinheiro com a Defesa, com as Forças Armadas. Ninguém quer saber, ou admitir, que foram a única instituição com capacidade de resposta imediata, em meios e organização, quando das cheias da Madeira.



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