Por: Sá Tenaz

Crónicas do Inferno

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O Desenrascado Ser-se “desenrascado”, em Portugal, é elogio. O que, no mundo civilizado, é tido como uma medida de exceção, recurso a ser usado em situações extremas não previstas nos inúmeros testes e experiências preliminares, é, no nosso país, uma norma. Estudar? Planear? Prever? Para quê?

Vamos avançar. Se surgir algum imprevisto – que, claro, aparecerá já que nada se previu… – a nossa “capacidade de improviso”, aliada à “reconhecida inteligência” de todos e cada um dos portugueses, logo o suplantará e eliminará.

E sempre que isso acontece cantam-se loas à nossa superioridade.

Quando as coisas dão para o torto, como acontece na imensa maioria das vezes, assobiamos para o lado e surgem as outras frases feitas: “Era o destino!”, “Não havia nada a fazer.”

Como é evidente o “desenrascanço” terá de existir enquanto houver a hipótese de imprevistos.

Mas até para se ser desenrascado é conveniente ter estudado e conseguido conhecimentos profundos nas áreas onde nos movimentarmos.

Recordo, a título de exemplo, a odisseia dos astronautas de uma missão Apolo, e da equipa de apoio na Terra, quando tiveram de construir, no espaço, em pouquíssimo tempo e com “equipamentos” de circunstância (copos de plástico, fios elétricos retirados de outros aparelhos, fita cola, caixas de cartão, etc.), um substituto do sofisticado aparelho que distribuía o oxigénio na nave e que se tinha avariado.

Conseguiram-no e esse “desenrascanço” salvou-lhes a vida.

O conceito de desenrascanço, em Portugal, todavia, é mais comezinho.

Há dias ouvi, numa entrevista televisiva, um conhecido ator, Luís de seu nome e não muito esperto apesar do apelido poder induzir em erro, a explicar porque se considerava “um homem desenrascado”: “Eu até consigo mudar a fralda do meu filho enquanto conduzo!…”

Pouco desenrascados, com toda a certeza, serão os nossos psiquiatras já que esta criatura continua à solta.

E nem um colete de forças lhe vestiram!

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