Vamos avançar. Se surgir algum imprevisto – que, claro, aparecerá já que nada se previu… – a nossa “capacidade de improviso”, aliada à “reconhecida inteligência” de todos e cada um dos portugueses, logo o suplantará e eliminará.
E sempre que isso acontece cantam-se loas à nossa superioridade.
Quando as coisas dão para o torto, como acontece na imensa maioria das vezes, assobiamos para o lado e surgem as outras frases feitas: “Era o destino!”, “Não havia nada a fazer.”
Como é evidente o “desenrascanço” terá de existir enquanto houver a hipótese de imprevistos.
Mas até para se ser desenrascado é conveniente ter estudado e conseguido conhecimentos profundos nas áreas onde nos movimentarmos.
Recordo, a título de exemplo, a odisseia dos astronautas de uma missão Apolo, e da equipa de apoio na Terra, quando tiveram de construir, no espaço, em pouquíssimo tempo e com “equipamentos” de circunstância (copos de plástico, fios elétricos retirados de outros aparelhos, fita cola, caixas de cartão, etc.), um substituto do sofisticado aparelho que distribuía o oxigénio na nave e que se tinha avariado.
Conseguiram-no e esse “desenrascanço” salvou-lhes a vida.
O conceito de desenrascanço, em Portugal, todavia, é mais comezinho.
Há dias ouvi, numa entrevista televisiva, um conhecido ator, Luís de seu nome e não muito esperto apesar do apelido poder induzir em erro, a explicar porque se considerava “um homem desenrascado”: “Eu até consigo mudar a fralda do meu filho enquanto conduzo!…”
Pouco desenrascados, com toda a certeza, serão os nossos psiquiatras já que esta criatura continua à solta.
E nem um colete de forças lhe vestiram!



0 Comentários