Os principais índices acionistas Europeus registaram valorizações expressivas na primeira semana do período, sendo que esse movimento foi mais relevante no bloco Europeu e, com particular incidência, junto de um conjunto de players cíclicos, não obstante a manutenção de alguma fraqueza do Euro face à generalidade das divisas internacionais. O rescaldo do Debt Swap ocorrido na Grécia e a consequente declaração (lógica) por parte da ISDA que a reconversão da dívida grega se materializou num evento de crédito, implicando por conseguinte a ativação dos respetivos CDS, foi o principal driver de sentimento numa fase inicial, sendo que esta situação não foi ainda assim suficiente para debelar o maior otimismo dos investidores, sobretudo porque em grande medida já se encontrava descontado no preço e porque o respetivo mercado de CDS apresenta uma reduzida dimensão (EUR 3,5 mil mn) – mitigando os riscos sobre um efeito nefasto sistémico sobre o setor financeiro. A recuperação do sentimento de mercado acentuou-se neste período em resultado da suavização do receio dos investidores em torno do evoluir da crise de dívida Europeia e do reforço do momentum económico global, beneficiando em particular do maior dinamismo conferido pela economia norte-americana. Com efeito, a FED sinalizou durante a semana que a atividade económica recente do país superou a guidance definida previamente, fenómeno bastante visível à luz da recuperação evidente do mercado laboral, imobiliário e do pick-up da atividade industrial nos últimos meses/trimestres face ao ponto mais negativo do ciclo recente – agosto de 2008 que coincidiu com a problemática do teto da dívida norte-americana e que culminou com o respetivo corte de rating de crédito de longo prazo aos EUA. Em paralelo, registou-se um spike expressivo das yields das treasuries de longo prazo, um movimento justificado precisamente pelas melhores perspetivas de crescimento económico e também pela expectativa de maiores pressões inflacionistas a médio prazo. Refira-se que as taxas das treasuries a 10 Yr se situam presentemente nos 2,40%, registo que compara com os 2% observados na semana transata, situação que poderá limitar as possibilidades de uma eventual adoção de planos de estímulo não convencional pelo FED a médio prazo, nomeadamente tendo em conta que se mantém em curso (até junho) o denominado programa “Twist” que visa o alargamento das maturidades dos ativos em balanço no FED. Relativamente ao mercado de dívida Soberano na Europa, os efeitos do último leilão de cedência ilimitada de liquidez pelo BCE continuam a gerar efeitos amplamente positivos, sendo que as yields (curto e longo prazo) nos países periféricos de maior dimensão – Itália e Espanha – mantêm-se a níveis próximos de mínimos relativos face ao passado recente. Já na segunda semana do período os principais índices acionistas registaram um comportamento maioritariamente negativo, apresentando desvalorizações expressivas, as quais tiveram particular incidência no bloco europeu. Ainda que este movimento corretivo deva ser entendido tendo em consideração as fortes valorizações bolsistas observadas desde o início do ano, a realidade é que o aumento do pessimismo dos investidores se deveu também à divulgação de um conjunto de indicadores macroeconómicos na Europa e na China, os quais sinalizaram a probabilidade de um abrandamento do crescimento económico na China, conferindo também uma maior probabilidade de recessão na Europa. A nível sectorial apenas o setor das telecomunicações registou ganhos, enquanto os setores de recursos básicos e automóvel lideraram as desvalorizações, ambos penalizados precisamente pela expectativa de arrefecimento da economia Chinesa. Relativamente ao mercado de dívida, o movimento pronunciado de contração dos spreads entre as yields periféricas e as bunds que se vinha a verificar nas últimas semanas em consequência da suavização dos riscos sobre a crise de dívida na Europa e da estabilidade promovida pelos dois leilões de cedência ilimitada de liquidez por parte do BCE, reverteu-se, tendo-se verificado o aumento das yields espanholas e italianas assim como a correção das bunds. Em relação ao mercado de dívida Soberana Portuguesa, e contrariamente ao verificado nos restantes países periféricos, observou-se uma quebra significativa das yields da dívida Portuguesa nas maturidades de médio-longo prazo, após o sucesso da emissão de dívida de curto prazo – representou a primeira emissão com maturidade de 12 meses desde o início da intervenção externa do país – com uma taxa média de 3,652% vis-à-vis 4,943% exigidos na emissão anterior. No que concerne a economia americana, a divulgação de dados macroeconómicos positivos tanto ao nível do mercado laboral como a nível do mercado imobiliário na semana passada, potenciou o aumento da confiança na robustez da recuperação económica, levando a um movimento excessivo das yields das treasuries de longo prazo, as quais corrigiram esta semana à semelhança do movimento encetado pelas bunds, na sequência do relativo sell-off por parte dos investidores. O cross EURUDS tem prolongado o movimento de valorização recente face à divisa norte-americana tendo avançado 0,64% na semana, enquanto o crude registou uma desvalorização de cerca de 0,3% face aos rumores em torno da possibilidade de libertação de reservas por parte de diversos países e ao escalar da tensão geopolítica no Irão.
Informação do Banco BIG (Banco de Investimento Global)
28 de Março, 2012
Os principais índices acionistas Europeus registaram valorizações expressivas na primeira semana do período, sendo que esse movimento foi mais relevante no bloco Europeu e, com particular incidência, junto de um conjunto de players cíclicos, não obstante a manutenção de alguma fraqueza do Euro face à generalidade das divisas internacionais. O rescaldo do Debt Swap ocorrido […]
(0)
.
Últimas
Artigos Relacionados
Peça cerâmica de Mário Reis assinala início de mandato de António José Seguro
O artista cerâmico Mário Reis fez uma peça para assinalar a tomada de posse do novo Presidente da República, a que deu a designação “Segurem-me”.
Hugo Oliveira reeleito presidente da Comissão Política Distrital do PSD
O deputado e vereador caldense Hugo Oliveira foi reeleito presidente da Comissão Política Distrital do PSD de Leiria, obtendo 95% dos votos expressos nas eleições distritais realizadas no passado fim de semana.
Caravana da FENPROF passou pelas Caldas para abordar a situação da Escola Pública
Caldas da Rainha recebeu no dia 2 de março, a Caravana Nacional da Federação Nacional dos Professores (FENPROF) que está a percorrer o país com o objetivo de mobilizar docentes e sensibilizar a sociedade para a situação da Escola Pública.



0 Comentários