Talvez dois segundos tenham passado no processo arduamente criativo de intitular este pacato conjunto de frases anexado com algum nexo. O efeito final parece, contudo, satisfatoriamente apreciável. Não são necessárias grandes alterações para que viajemos entre palavras com ligeiras diferenças sonoras e, daí partindo, alcancemos realidades vilmente distantes. O mistério do ministério que educa a deseducação é mero exemplo desta novidade estilística aplicável às quatro estações. Embora possa parecer contraditório, a faceta inovadora nas artes da transmissão de saber não é de agora. Recordemos, apesar disso, a lusitana e pitoresca existência míope como responsável por visões turvas a longo prazo – a construção do futuro – e o consequente genuíno espanto quando diante de si se distinguem enfim os densos contornos da realidade presente. A mais ínfima semente que algures desleixadamente se abandonou exerceu o seu direito a floresta ser: agora que unanimemente vislumbramos essa muralha selvática entre nós e o saber, nós e o progresso, nós e o mundo… é começar a desbravar caminho. A primeira e primordial espécie que despontou nesta fronteira é vulgarmente designada de facilitismo. O que nos programas científicos havia de experiência, o que a nível global promovia e exigia verdadeiros desafios de investigação e procura foi sendo cuidadosamente forrado a cartão sem legenda, encaixotado na memória como recordação difusa do que já passou. Um dos pormenores que essa miopia mental não distingue é que as propaladas capacidades e dons não se desenvolvem pela abundância ou escassez de tempo que se lhes reserva, mas através de estímulos, quer nossos sejam quer do meio exterior. Nada se alcança se nada se define como meta porque ultrapassar os limites do expectável depreende a definição dos mesmos. Se todos passam, se todos sabem, se a positiva é tão certa como o amanhã ser a seguir a hoje, caso exista, então contas, versos e ficobilinas são pormenores frivolamente desinteressantes. Baixam-se os braços ao conhecimento, estendem-se as mãos a realidades fictícias aparentemente mais imprevisíveis, gera-se um ciclo labirintíco sem sinalização de saída. A resposta ministerial alimenta então contínua e profundamente as tropas do pouco esforço, aproximando exames ao esquema da lotaria, dando erros em provas e estabelecendo critérios cujo objectivo primário é vingar nas percentagens, entre tantas outras medidas mais ou menos conhecidas, mais ou menos legítimas. Faz-se a festa lá pelos 10 valores, povo humilde este que pela metade se contenta. Como testemunham as palavras e as subtis diferenças que as tornam contrárias, não são colossais as mudanças a impor no sistema actual. O que se exige acima de tudo é predisposição para assumir o erro, esquecendo sondagens e favorecendo uma atitude de superação. É a receita dos trilhos da sabedoria, não mensurável em percentagens políticas. Que o saber de uns seja suporte e nunca fronteira, que ultrapassada a primeira meta não sejam esquecidas tantas outras provas. Provas de quem somos, do que podemos. Carolina Duarte
O Mistério da Deseducação
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