Para cada um sua verdade…

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  Com pouco tempo de diferença, deixaram de estar entre nós três pessoas, três personalidades que de forma tão diferente nos deixaram a mesma verdade. Um pela esperança, o Beto, outro pela caridade, o Padre Bastos, e o terceiro pela “fé”, José Saramago. Cada um, à sua maneira, foi um exemplo de virtude (Fé, Esperança […]

  Com pouco tempo de diferença, deixaram de estar entre nós três pessoas, três personalidades que de forma tão diferente nos deixaram a mesma verdade. Um pela esperança, o Beto, outro pela caridade, o Padre Bastos, e o terceiro pela “fé”, José Saramago. Cada um, à sua maneira, foi um exemplo de virtude (Fé, Esperança e Caridade) as três virtudes teologais. Cada um deles, como ser humano, continha em si a Verdade Universal na sua essência genuína, e no entanto cada deixou a sua própria verdade, ou seja, a verdade que ele encarou como ser humano (um espírito mais ou menos ancorado na terra em que vivemos). De uma forma ou de outra, todos fizeram História. Na realidade, como diria Saramago, a vida é uma viagem, partimos e voltamos, ou não voltamos mas algo de nós fica. Do Beto ficou-nos a Música, a harmonia, a Esperança. Do Padre Bastos a Obra Social, a Caridade. Do Saramago a escrita com as suas dúvidas de Fé, que abrem caminho a profunda reflexão. Saramago É Acusado por muita gente de “Ser Amargo”, o seu nome presta-se a isso, pois Saramago é um Rábano-bastardo cujas raízes tuberculosas e pontiagudas, são apreciadas como condimento picante e são ricas em vitamina C, mas as folhas também são comestíveis. Algumas comunidades judaicas utilizam-na ou utilizaram-na como “erva-amarga” durante a comemoração do Pessach. (Páscoa Judaica) Conheci-o apenas através da leitura de grande parte dos seus romances e constatei a verdade da sua afirmação de que a vida é uma viagem, ao reler alguns dos seus livros o que encontrei era completamente diferente daquilo que tinha lido há alguns anos atrás. “…a gente volta e as pessoas já não são as mesmas os locais, a vida, tudo é novo”.  Tem-se a sensação do “jamais vu”. Saramago deixa-nos um exemplo de integridade e coerência, um Homem que soube ser Ele próprio, irreverente e até blasfemo, cujos exageros de linguagem reconheceu e em parte lastimou, e não sei se se arrependeu, pois segundo um depoimento de Pilar, houve obras que o deixaram tão abatido e perturbado com a sua crueza, que não conseguiu voltar a lê-las. O deus que Saramago acusa de f. de p. é o deus dos homens, gravado nas escrituras na linguagem dos homens, pelo menos é assim que eu penso, pois Saramago preocupou-se em desfazer mitos e denunciar o Farisaísmo de algumas passagens da Bíblia que nos deixam profundas dúvidas e não nos podemos esquecer que muito do que aparece escrito foi feito muitos anos  depois da ocorrência dos factos, ao sabor da política dos Bispos Católicos que lutavam pelo poder temporal em detrimento do poder espiritual. Saramago faz uma advertência que é bom que nos obriga a uma profunda reflexão: “Ao leitor crente (de qualquer credo) que tenha conseguido suportar a repugnância que lhe inspirem estas palavras, não lhe peço que passe ao ateísmo de quem as escreveu, simplesmente lhe rogo que compreenda, com sentimento, se não puder pela razão, que se há Deus, há um só Deus, e que na sua relação com Ele o que menos importa é o nome que lhe ensinaram a dar-lhe, e que desconfie sempre do factor deus”.   Julga-se um homem por ser comunista, mas não se lhe reconhece o direito de denunciar os crimes que a própria Igreja Católica reconhece e pede desculpa (Autos de Fé, Inquisição, Processo de Galileu entre tantos outros ao longo dos Séculos). S. Paulo dizia: “Não Julgues para não seres julgado… na medida em que julgares assim serás julgado”. Entrevistado tem uma expressão que revela bem a sua humildade perante a Grandeza Infinita (Deus Universo) que ele próprio pensa negar: “Um dia tudo acaba, o sol acaba, nós acabamos e o Universo nem dá porque nós existimos” Acusado de antipatriota, Saramago através do mais do que Merecido Prémio Nobel fazer soar bem alto a Voz do nosso Portugal. Peniche, 23 de Julho de 2010 João Barros de Bettencourt

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