No dia 4 de Novembro fugiu de minha casa, em Caldas da Rainha, a minha cadela de nome “Maria”. Durante os dias seguintes fui perguntando aos vizinhos se a haviam visto, sempre contando que ela andaria pelas vizinhanças e que voltaria a casa sozinha, como já havia sucedido noutra ocasião, visto que a Maria está habituada a passear comigo pela cidade – nunca se perde. Porém, no dia 7, já bastante preocupados com a ausência do animal (que, para nós, faz parte da família) fui correr as redondezas e bater de porta a porta. Logo achei um vizinho que havia recolhido o animal no mesmo dia em que este havia fugido, o qual o entregou no canil da Câmara de Caldas da Rainha, tendo nessa altura o meu vizinho alertado para que não matassem ou dessem a cadela, porque, caso não aparecesse o dono, o mesmo a adoptaria. De imediato me dirigi ao Canil de Caldas da Rainha (Quinta dos Pinheiros) – quando cheguei cedo me apercebi que a cadela não estaria ali: por muito que a chamasse ela não ladrava, o que para mim era uma certeza da sua ausência. Após um telefonema para um dos voluntários que presta auxílio no canil, fiquei a saber das más notícias – a cadela havia sido roubada do Canil de Caldas da Rainha! Obviamente que a simples ideia de ladrões a assaltarem canis municipais para roubar cães abandonados me pareceu totalmente estapafúrdia e ridícula – só uma criança acreditaria em tal enredo…de imediato tive a certeza de que algo muito errado se passaria naquelas instalações. Era certo que quem roubou a cadela sabia que ela ali estava (visto que estava numa box não visível da estrada), sabia que o animal não tinha chip e sabia que era um animal de raça pura e com alto valor comercial para caçadores – alguém “de dentro”, pois. Perante as suspeitas óbvias, fiz telefonemas para alguns amigos e pedi-lhes para investigarem: O que descobri foi aterrador: Em poucos minutos a maioria voltou a ligar e todos me deram exactamente as mesmas pistas – todos apuraram que o que se passa no Canil das Caldas é há muito conhecido pela Câmara: existe um funcionário da Edilidade com acesso privilegiado ao local sobre quem recaem fortes e graves suspeitas de actos desta natureza e outros piores, tendo todos indicado o mesmo nome, pessoa conhecida por estar ligado a este tipo de comércio de animais roubados – e era pois quase certo que havia sido essa pessoa a roubar minha cadela. Após ter feito esta descoberta verdadeiramente espantosa (até os cães perdidos são objecto de negócios sujos nesta cidade) urdi um plano para confirmar as minhas (mais que) suspeitas: Novamente através de várias pessoas amigas fiz circular o boato de que o dono do cão já sabia quem o tinha roubado e onde ele estava; fui também à rua onde supostamente reside o dito senhor e sua família e fiz algumas perguntas de forma ostentatória… Certo é que o plano resultou: No dia seguinte de manhã a minha cadela apareceu em casa, com algumas feridas e óbvios sinais de fadiga, pelo seu próprio pé. No dia 18 de Novembro escrevi ao sr. Presidente da Câmara denunciando a situação (uma vez mais – visto que várias pessoas me garantem já o haver feito anteriormente) e exigindo que tomasse providências, visto que, ainda que não houvesse provas concretas no meu caso, as contínuas e fortes suspeitas existentes sobre o dito funcionário há muito que justificariam uma providência do referido edil. Na missiva alertei ainda o referido autarca para a responsabilidade da Câmara e da sua pessoa perante o bem-estar e segurança dos animais acolhidos, e alertei o mesmo para a possível negligência do dito perante os deveres de guarda que a Lei lhe impõe. Infelizmente, até esta data, o referido senhor não se dignou a responder-me – e muito menos a agir, pelo que, como calculam, o suspeito de tais barbaridades continua a lidar diariamente com os animais acolhidos…Ou seja: No Canil Municipal de Caldas da Rainha os animais verdadeiramente vadios são abatidos e os que têm dono ou que são adequados para adopção são “roubados misteriosamente” – e está tudo bem – A Câmara não se importa! Quero pois, mais que denunciar esta escandaleira, tentar garantir que mais nenhum animal nem seus donos sejam vítimas de tais crimes! Assim apelo a todas as pessoas que hajam passado por semelhantes situações, ou que tenham informações sobre o assunto, ou ainda as que tenham denunciado pessoalmente a situação á Câmara ou a seus responsáveis que venham também contar a sua história nesta secção, por forma a apurarmos a dimensão do caso e juntos estudarmos medidas para impedir tais acontecimentos e para pedir contas aos responsáveis que eventualmente pactuaram com a situação. É ainda bom lembrar que o avanço duma sociedade também se afere pela forma como trata os seus animais – nesse campo esta cidade ainda vive na Idade Média… Nuno Miguel de Sousa Valente Godinho de Carvalho
Nem cão se pode ser nas Caldas
3 de Fevereiro, 2010
No dia 4 de Novembro fugiu de minha casa, em Caldas da Rainha, a minha cadela de nome “Maria”. Durante os dias seguintes fui perguntando aos vizinhos se a haviam visto, sempre contando que ela andaria pelas vizinhanças e que voltaria a casa sozinha, como já havia sucedido noutra ocasião, visto que a Maria está […]
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