O clima “mundial” parece estar a mudar, e isso é bem visível nos vários meios e agências de “contaminação” social. Há pouco tempo ainda, sem que tivéssemos notado, o nosso quotidiano passou a ser marcado por sucessivos “alertas” de mau tempo. Não foi por acaso. Os (novos?) senhores do mundo, os artífices da Grande Contracção (a gigantesca acumulação de capital e sua posterior concentração nas mãos de um cada vez menor número de indivíduos todo-poderosos), só podiam ficar tementes: o resíduo global do processo, essa vastíssima multidão destrambelhada, que fazer-lhe? E duas soluções havia: ou exterminá-la ou escravizá-la. Soluções que até podiam ser complementares, uma vez aplicadas sabiamente e em doses convenientes. Mas sempre notando as características inauditas do empreendimento. A psicologia social determinara a importância de instaurar o Medo, esse medo paralisante de existir tão bem conhecido dos portugueses, como o filósofo José Gil identificou. Nos moldes climatistas, o futuro do mundo, em vez do mundo futuro, passa a dominar as mentes. É bom que todos passem a viver num qualquer futuro e não neste insustentável presente que nos oprime. Pois somente face ao futuro podem medrar o Medo e a Esperança. Por isso no presente a Realidade deve assustar e ser constantemente desoladora. Seja pelo crime, as pestilências, a guerra, a fome ou a extrema pobreza. Seja pelas tempestades fora da estação, os vendavais que tudo descompõem, ou as ondas de calor que infernizam. A importância dos “alertas” vermelhos laranjas e amarelos é essa: a de nos manter longe da Realidade, para que possamos viver numa realidade alternativa, constantemente a ser produzida pela Técnica. Afinal a Realidade não é para todos: é apenas para aqueles que a podem viver intensa e extensamente. Que são os (novos?) senhores do mundo cujos filhos, em vez de estudarem biologia marinha pela Internet, vão fazer expedições para o Antárctico, e filmes que depois os nossos filhos vêm na TV, sempre com esse medo difuso e envolvente de existirem. A cimeira de Copenhaga sobre alterações climáticas saldou-se por um aparente fracasso, pois dela não saíram nem tratado nem acordo climático global, como muitos ambicionavam, nomeadamente a “suserania” europeia. Pelo meio ficaram alguns episódios inconvenientes, como o dos e-mails da universidade britânica de East Anglia (mostrando a face oculta da actual investigação e publicação científicas sobre temas climáticos) ou o da chegada a Copenhaga de Robert Mugabe, a coberto da imunidade diplomática das Nações Unidas, com a “agravante” de se tratar do líder de um dos poucos países do mundo que, nas últimas décadas, tem vindo a reduzir as suas emissões de CO2. Mas o climatismo, que alguns “cépticos” acusam de ser uma espécie de religião do apocalipse cujas testemunhas incluem notáveis cientistas e muitas figuras de relevo internacional, não irá certamente ceder ao percalço. O momento criado tornou-se imparável, tão fortes são os interesses em jogo. Num mundo conturbado e visivelmente carente de autoridade, quando não abalado pelo caos e pela injustiça, o Estado vê o climatismo como uma espécie de bálsamo religioso para as suas (seculares) feridas. Pois se outrora o pecado, ou a luta contra hereges e infiéis, podiam justificar grandes orçamentos e decisões mais do que duvidosas para o reino, que lutas actuais podiam substituir esses outrora tão aturados inimigos? Assim parece nascer para os “cépticos”, e com o condão da ciência moderna, a luta contra as alterações climáticas. E, tal como nas medievais lutas contra os sacrílegos, é pregada a existência de uma divindade única e perfeita: um clima, termicamente estável, sem os seus intoleráveis extremos causados pelos ímpios, como uma permanente Primavera que sobre os homens pudesse definitivamente abater-se. Qualquer falha no sistema de saúde, nas escolas, ou mesmo na justiça e segurança dos cidadãos, pode sempre atribuir-se a esse instinto malévolo da alteração climática, que extenua o Estado. Nada mais desejável e oportuno, pois, no tempo actual, do que tão feérico argumento político. Oxalá ainda se vá a tempo de salvar a boa ciência do pântano climatista em que muitos persistem em atolá-la. E quanto aos cidadãos, fica um conselho para 2010: saiam mais de casa (a pé ou de bicicleta, de preferência) e consumam menos lixo mediático. Um “alerta laranja” não mete medo a ninguém! Valdemar Rodrigues Prof. Universitário
Alerta Laranja: Nota sobre o Climatismo
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