Uma coisa que tenho constatado nestes dias: agora o Pai Natal já não entra pela chaminé. Deve ter achado que sujava as barbas brancas e o fato vermelho na fuligem ou então começaram a cobrar-lhe estacionamento nos telhados ao trenó das renas e pronto: resolveu deixar o dito cá em baixo – que, à noite, o parquímetro é de borla – e começou a subir pelas varandas. Só num prédio por onde costumo passar, devem estar pendurados cerca de uma dúzia de clones do Pai Natal, todos comprados, se calhar, na loja do chinês mais próxima. Por vezes, não sei como hei-de classificar este fenómeno: publicidade ao comércio asiático, uma evolução do Pai Natal para Homem-Aranha, crise de renas voadoras no Pólo Norte, consequências da greve dos limpa-chaminés, sei lá… Pobre Pai Natal! Eu gosto dele. Não é por me trazer prendas. Nessa tarefa, não tiro o lugar ao Menino Jesus. Sempre, em Portugal, foi Ele que se encarregou de nos pôr os presentes no sapatinho. Em Espanha, até podem ser os Reis Magos; na Itália, a velha ou bruxa Beffana; nos Países Baixos, S. Nicolau e nos EUA, o Pai Natal. Mas no nosso país, sempre foi o Menino Jesus. Por favor, não O mandem também para o desemprego! Pronto, está bem: o Pai Natal até pode ser um ajudante simpático e com um fato mais vistoso para este encargo pouco recomendável e demasiado difícil para um recém-nascido. Nossa Senhora e S. José até podiam ser acusados à Protecção de Menores de exploração do trabalho infantil. Apoio a nomeação do Pai Natal enquanto assessor em part-time do Menino Jesus, contratado a recibos verdes pelo trabalho temporário na noite de Natal. É precário, mas que vamos fazer? Estamos em crise… Proponho ainda que se dê maior relevo ao Dia do Pai Natal, o dia 6 de Dezembro, festa de S. Nicolau. Como é sabido, “Pai Natal” é apenas o nome artístico e carinhoso de S. Nicolau de Bari, um bispo que gostava de crianças e deixava moedas nas janelas para juntar ao dote das moças pobres. Daí ter um jeito especial para resolver dificuldades económicas: salários em atraso, desempregos, falta de donativos, erros de caixa, conseguir um empréstimo, um juro mais baixo… Aliás, na crise económica em que estamos, até estranho como é que o nosso Ministro das Finanças ainda nãos e lembrou de convocar os serviços deste santo e propor que no 6 de Dezembro se faça um momento de oração no Parlamento, a ver se não nos vemos gregos para sair deste atoleiro. Mas quem é importante no Natal, de facto, é o Menino Jesus. O aniversariante é Ele. Os presentes são uma pequena amostra de todos os que receberemos ao longo do ano: a vida, a saúde (pouca ou muita), a fé, a família, o trabalho, os professores, os amigos, a natureza, a casa, a alimentação… Este Natal, haverá pessoas que não terão no sapatinho algumas destas coisas. Essas encontrar-se-ão como no Presépio. O próprio Menino Jesus veio ao mundo sem nada. Porque é mais importante dar-se do que oferecer bugigangas que só enchem espaço. Porque o essencial não são as coisas, mas as pessoas: a Mãe e o Pai. A Família. Um Feliz Natal! Maria Amélia Freitas
Não ataquem o Pai Natal!
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