As palavras não foram suficientes para acalmar o coração em desassossego deste amigo querido. As palavras, aquelas que tanto gostava de ouvir dele, nas nossas brincadeiras sociopolíticas, culturais e desportivas. O “Paulito” e eu éramos amigos de longa data e discutíamos todos os assuntos que vinham à baila. Lembro-me até hoje como foi que o conheci. Há 30 anos. Depois tivemos um interregno de 18, devido à minha ida para o Brasil. Mas, no meu retorno, como que por acaso, se deu o reencontro, eu continuava igual, dizia, já ele, engordara “uns quilitos”. Desde então, corria o ano de 2001, não nos deixamos mais de ver e falar, ora no corriqueiro café, ora no Caldas da nossa paixão, sempre na bancada central, ora em tertúlias ligeiras, porém salutares, quando me visitava. E agora aqui estou, a escrever a respeito dele, ao invés de falar com o próprio. E a olhar a sua fotografia e a perguntar: Porquê? A mente humana tem rasgos emotivos que transformam de um momento para o outro um “latagão” daqueles em apenas lembranças. O seu bom humor, o seu jeito delicado de fino traço, a sua forma subtil de ver o mundo, nada foi capaz de o demover de uma ideia assustadora. O “Paulito” foi meu cúmplice na última campanha política, contei-lhe tudo, todas as “macacadas” que ia fazer para chamar a atenção, e como nos divertimos, como rimos fartamente por causa disso. Ele dizia: “Vais atirar assim contra os políticos e contra alguns elementos da imprensa e não vais acender apenas uma fogueira, vais detonar uma explosão visceral contra ti”. E ríamos. Achávamos graça a todas as situações que poderiam surgir daqueles tópicos irónicos e provocativos. Abençoado amigo. Aconteceu tudo como prevíamos. Dias depois das eleições encontramo-nos e, de ânimo acentuado, disse-me: “Epa, vá lá, vá lá, as tuas previsões deram resultados, conseguiste eleger o Rocha e o Peralta e de lambuja ainda levaste outro elemento para uma Junta”. Pois foi. Valeu a pena o sacrifício. Em Setembro último disse-me uma frase que não me sai da memória: “Sinto-me muito grande para este corpo”. Era a sua alma a anunciar a saída. Era a sua mente a preparar o amigo. O grande poeta brasileiro Olavo Bilac disse um dia: “A Saudade é a presença dos Ausentes”. Tenho certeza que vou carregar comigo, até o último dos meus dias, a certeza de que a Saudade será sim, aquilo que sentirei dele, profundamente! Bem hajas “Paulito”. Rui Calisto
Homenagem a Paulo Rodrigues
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