Um estudo da Harvard Business Review (Boston, EUA) sobre o fenómeno do sucesso deixou-me a pensar nos motivos que levam as pessoas a quererem ser alguém. E o que é isso de ser alguém? Ter dinheiro no banco? Aparecer na televisão? Constituir família? Vender jornais no quiosque da estação? Integrar um equipa de voluntários? A resposta torna-se um pouco mais complexa do que parece. Ser alguém… todos somos alguém, pelo facto de existirmos, logo o ser alguém não depende do que temos, mas do que somos e do que fazemos. Por natureza o homem é um ser empreendedor, o que implica ser ambicioso, procurar sempre mais e melhor. O problema consiste em perceber quando parar. Podemos querer ter mais porque estamos cientes de que temos capacidade para ter um melhor emprego, para ajudar mais os outros, para sermos melhores amigos, melhores pessoas. Ou podemos querer mais porque gostamos de estar na vanguarda da moda, ter mais do que o vizinho, etc. A ambição desmedida ou desregrada, cega-nos de tal forma que deixamos de conseguir distinguir o essencial do supérfluo. Uma pessoa pode perder toda uma vida à procura de qualquer coisa que nunca vai encontrar, por ser uma pessoa ambiciosa sem limites e sem um sentido para a vida. Pelo contrário, é possível saber onde se quer chegar e ser ambicioso em ordem a atingir certos e determinados objectivos. Mas, para esse efeito, temos de nos conhecer e estabelecer metas e prioridades na nossa vida. Para nos sentirmos realizados, pessoas bem sucedidas, é conveniente analisar algumas vertentes da nossa vida. Laura Nash e Howard Stevenson, os autores do estudo “Sucesso que perdura” (“Success that lasts”), incitam-nos a olhar para a nossa vida ponderando 4 componentes: o que sentimos perante a vida, as nossas realizações, o impacto que causamos nos outros e o modo como influímos nas suas vidas. Cada uma destas componentes deve ser analisada nos vários contextos em que nos inserimos: pessoal, familiar, profissional. Podemos tirar algumas notas numa folha de papel e, no final, analisar o nosso perfil. Onde somos bem sucedidos? Em que aspectos deveremos insistir para alcançar sucesso? Como transformar os nossos pontos fracos em oportunidades de melhoria? O segredo está em saber até onde deve ir a nossa ambição. Uma pessoa que não trava o seu “querer mais” nunca se sentirá satisfeita. Mas alguém que estabelece metas e prioridades, quando as atinge, sentirá uma satisfação enorme por ter alcançado um objectivo na vida. Por se sentir realizada num determinado aspecto, essa pessoa irá considerar-se bem sucedida. É conveniente saber onde se deve lutar agora, e qual o momento certo para insistir noutro aspecto da nossa vida. Talvez hoje a minha família precise mais de mim, amanhã talvez tenha de dedicar mais do meu esforço no trabalho. Se alternarmos os pontos de luta quando já nos empenhámos o suficiente, cansamo-nos menos e somos mais eficazes. Os autores referem que o “suficiente” é o antídoto para a dependência da sociedade do querer sempre “mais”. Com efeito, procurar o suficiente não faz de nós pessoas conformadas, ou resignadas. Significa que somos inteligentes e conseguimos dominar-nos, mantendo o distanciamento necessário para perceber o que realmente precisamos, em que coisas somos bons e em que aspectos devemos melhorar. Só tendo este distanciamento dos estímulos com que a sociedade nos bombardeia constantemente, seremos capazes de nos manter firmes nas nossas crenças e objectivos. Há que confiar em nós mesmos. Filomena Borges Gonçalves
Um pouco mais ou o suficiente?
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