“Para um empreendedor a palavra de ordem é “Yes we can”. Tem de existir actualmente, entre os jovens, mudança de atitudes comportamentais, visando a oportunidade de criar seu próprio negócio ou tornarem-se aptos a desenvolver formas autónomas de pensar e gerir a vida profissional. O espírito empreendedor tem de ser estimulado. As escolas e universidades portuguesas ensinam os estudantes a serem empregados e não empregadores e é aí que a motivação para o empreendedorismo deve entrar. Estas foram algumas mensagens deixadas no seminário, “Ousar Empreender”, que o CENCAL em conjunto com a ADRO, a AIRO e a ESAD, organizou no auditório da ESAD no passado dia 10, perante uma assistência de duas centenas de pessoas, na sua maioria composta por alunos da ESAD e de cursos profissionais, onde técnicos, especialistas e empresários apresentaram as ferramentas e os meios disponíveis para apoiar a criação de empresas em Portugal. “Para um empreendedor a palavra de ordem é “Yes we can”. Palavras de José Luís Silva, director de planeamento e projectos especiais do CENCAL e professor convidado de “Inovação e Empreendedorismo” da ESAD, que fez uma apresentação sobre “O Empreendedorismo no Século XXI”. Para este responsável, a empresa de amanhã, segundo o “IBM Global CEO Study” (2008), tem de ser “ávida de mudança, inovadora e vanguardista na sua abordagem ao cliente, integrada à escala mundial, revolucionária por natureza, responsável e autêntica”. Segundo José Luís Silva, uma empresa do futuro e que queira ter sucesso tem de “ser capaz de se transformar rapidamente e com sucesso”. “Longe de se contentar em seguir as tendências, define-as e pilota-as. As transformações no mercado e no seu sector de actividade oferecem-lhe a oportunidade de ultrapassar as empresas concorrentes. Tem de ultrapassar as expectativas dos clientes cada vez mais exigentes”, acrescentou. Que fazer em Portugal? “Mudar a mentalidade e/ou a filosofia de vida em relação ao empreendedorismo; alterar o sistema de ensino desde o básico no sentido do contacto com a inovação e com o risco; fomentar a “coo-petição” – capacidade de trabalho em equipa e simultaneamente competitiva; desenvolver as instâncias de consultoria e de apoio ao empreendedorismo e fornecer permanentemente informação clara e transparente sobre o funcionamento dos mercados e dos operadores”, foram alguns conselhos deixados por José Luís Silva. “Portugal não sabe vender”, disse o designer Eduardo Dias Sousa, responsável pelo Epicentro – Centro Aglutinador de Competências do Centro de Inovação e Competitividade das Caldas da Rainha. “Com o 25 de Abril e depois com a entrada na Comunidade Europeia, o país teve oportunidades para se reorganizar para crescer e se nivelar economicamente com a Europa. Mas apesar dos apoios fornecidos, Portugal não alterou a sua postura no mercado externo. Se por um lado se apresenta como um interessante mercado receptor à entrada de produtos e serviços, por outro Portugal não desenvolveu ainda competências para poder penetrar noutros mercados”, apontou. Para este designer, as empresas nacionais estão longe da competitividade apresentada pela Ásia ou pela Europa de Leste. “Se em tempos conseguimos deter um know-how superior em algumas áreas, produzir melhor ou em menos tempo, hoje isso já não acontece”. “As empresas necessitam de assumir uma postura diferenciadora proactiva e empreendedora”, sublinhou, acrescentando que “os empresários deverão assumir que agora são necessárias competências na dinamização e gestão de áreas até agora pouco aprofundadas como o design, a marca e o marketing, competências que saibam acrescentar valor aos produtos ou aproveitar o que eles têm de melhor”. Segundo Eduardo Dias Sousa, o Centro de Inovação e Competitividade “enquadra-se no projecto de expansão da zona industrial, e tem como finalidade fixar quadros médios em projectos de investigação, que poderão trazer mais-valias para o êxito comercial das empresas que existem ou que se pretendem fixar”. De acordo com este designer o “Epicentro” é orientado para apoiar e desenvolver principalmente as empresas quer na óptica da indústria comércio e serviços. “O Epicentro tem um conjunto de serviços para dar apoio às indústria, empresas, escolas e comunidade na consultoria (imagem, estratégia, marca, marketing), serviços (gestão de design, packaging, ponto de venda), investigação (novos conceitos, novos materiais e tecnologias) e formação (software, especialização, ferramentas, metodologias projectuais)”, explicou. Filipe Montargil, responsável pelo Parque Tecnológico de Óbidos, só compareceu no seminário minutos antes da sua intervenção porque tinha estado na inauguração da sede oficial da empresa de novas tecnologias YDreams. Para este responsável, a YDreams, uma empresa portuguesa fundada em Junho de 2000 por investigadores da área das novas tecnologias que desenvolve produtos e serviços que utilizam tecnologia pioneira, é “um exemplo de uma empresa de sucesso virada para as novas tecnologias”. Filipe Montargil associou a YDreams ao novo Parque Tecnológico de Óbidos, referindo que é “o tipo de empresas que querem para um espaço especialmente concebido para fomentar a criação de um cluster criativo nesta região”. David Santos, da ADRO, Sérgio Félix, técnico da AIRO, e Luísa Castanheira, do Millennium BCP, apresentaram os apoios institucionais existentes e os meios disponíveis para apoiar a criação de uma empresa. Casos Práticos de Sucesso Os testemunhos de empresários com sucesso foram o que mais entusiasmou a assistência. “Se houver uma boa ideia, haverá sempre financiamento”, palavras de João Figueiredo, da Janela Digital, que contou a história da criação da sua empresa. O empresário revelou que ele e o seu sócio, Emídio Cunha, decidiram criar uma empresa depois de terem determinado o curso na Escola Secundária Rafeal Bordalo Pinheiro. Para João Figueiredo foi importante a sua ida aos EUA para o arranque do projecto. “Estivemos um ano sem receber para podermos pagar o ordenado ao programador informático, o nosso primeiro empregado”, apontou. Admitiu também que “tivemos a sorte de nos associarmos ao Sapo, que na altura tinha sido adquirido pela PT Comunicações”, disse. A Janela Digital é hoje uma empresa de referência nacional especializada em soluções tecnológicas para o sector imobiliário. Conta com cerca de 150 colaboradores, e tem vindo a apostar na internacionalização, estando hoje presente em 7 países. No dia 11 de Janeiro vai inaugurar as suas instalações novas no Parque Tecnológico de Óbidos. “Não se pode limitar a trabalhar 8 horas por dia; deve cumprir horários mas isso não basta; não vai enriquecer de um dia para o outro; o facto de ter sucesso hoje não garante que venha a tê-lo amanhã”, avisou os futuros empreendedores Pedro Delgado, filho do proprietário da Lucas Delgado – Fábrica de Móveis por Medida. Este empresário explicou como pegou no negócio com o seu pai, depois de fazer um curso de Marcenaria no Cencal e como introduziu o desenho assistido por computador numa empresa que já vinha do tempo do seu avô. Também Pedro Gil, da empresa caldense Braz Gil Studio, contou a sua experiência de empreendedor numa empresa familiar que se dedica à manufactura de porcelana. Segundo o empresário, a empresa aposta “na qualidade e excelências das peças e colecções que cria e produz, utilizando a melhor pasta de porcelana do mundo”. Falou da sua experiência e “know-how” que adquiriu estudando, estagiando e trabalhando no estrangeiro. A empresa é autora das mais variadas colecções e peças de prestígio criadas para entidades culturais como o Instituto dos Museus e da Conservação, Instituto Português do Património Arquitectónico, a Fundação Gulbenkian, entre outros. Faz reproduções e peças originais em parceria com designers nacionais e estrangeiros. Exporta também para outros países peças valiosas, vendendo-se em espaços como o Harrods, em Londres. Marlene Sousa
Seminário “Ousar Empreender” nas Caldas
19 de Novembro, 2008
“Para um empreendedor a palavra de ordem é “Yes we can”. Tem de existir actualmente, entre os jovens, mudança de atitudes comportamentais, visando a oportunidade de criar seu próprio negócio ou tornarem-se aptos a desenvolver formas autónomas de pensar e gerir a vida profissional. O espírito empreendedor tem de ser estimulado. As escolas e universidades […]
Seminário "Ousar Empreender" nas Caldas
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